Estenose tricuspídea reumática

Estenose da valva tricúspide secundária ao acometimento reumático crônico, caracterizada por espessamento fibroso dos folhetos, fusão comissural e encurtamento cordal, que restringem a excursão de abertura diastólica da valva tricúspide.

Definição

Estenose da valva tricúspide secundária ao acometimento reumático crônico, caracterizada por espessamento fibroso dos folhetos, fusão comissural e encurtamento cordal, que restringem a excursão de abertura diastólica da valva tricúspide, gerando obstrução mecânica ao fluxo anterógrado e gradiente diastólico patológico entre o átrio direito e o ventrículo direito [V1] [V2] [G1-01] [G1-04].

Critérios de gravidade

  • Leve (L): Gradiente médio valvar transtricúspide < 3 mmHg; Área da valva tricúspide (AVT) > 1.5 cm²; Tempo de meia-pressão (PHT) < 120 ms [G1-01] [V1].
  • Moderada (M): Gradiente médio 3.0–4.9 mmHg; AVT 1.0–1.5 cm²; PHT 120–189 ms [G1-01] [V1].
  • Grave (G): Gradiente médio transvalvar ≥ 5 mmHg (com frequência cardíaca normal); AVT ≤ 1.0 cm²; PHT ≥ 190 ms; Integral de velocidade-tempo (VTI) do fluxo transtricúspide > 60 cm [G1-01] [V1] [V2].

Achados por camada

Hemodinâmica

  • Gradiente médio diastólico transtricúspide elevado (gradiente médio transtricúspide: L < 3, M 3–5, G ≥ 5 mmHg) [G1-01] [V1].
  • Pressão média do átrio direito marcadamente elevada (G: ≥ 10–15 mmHg), com pressões do ventrículo direito normais ou reduzidas [G1-01].

Ritmo

  • Ritmo sinusal normal ou fibrilação atrial frequente como consequência da distensão crônica do átrio direito e frequente coexistência com valvopatia mitral reumática [V1] [G1-04].

ECG

  • Em ritmo sinusal: Onda P alta e pontiaguda (P pulmonale, P > 2.5 mm nas derivações DII, DIII e aVF) refletindo sobrecarga atrial direita grave sem alargamento [E1].
  • Em fases avançadas: Fibrilação atrial [V1].

Bulhas e sopros

  • Ruflar diastólico: Ruflar mesodiastólico de baixa frequência com reforço pré-sistólico (em ritmo sinusal) auscultado no 4.º–5.º espaço intercostal esquerdo na borda esternal esquerda inferior (BEEI), aumentando de intensidade com a inspiração [G1-15] [B1].
  • Estalido de abertura tricúspide: Estalido de abertura de alta frequência auscultado na borda esternal esquerda, mais precoce que o estalido mitral, tornando-se mais precoce e mais intenso durante a inspiração [G1-15].
  • Primeira bulha cardíaca (B1): Hiperfonética e acentuada na área tricúspide [G1-10].

Pulso arterial

  • Pulso carotídeo normal ou diminuído (parvus) devido à redução do débito cardíaco anterógrado na estenose grave isolada [B4].

Pulso venoso jugular

  • Onda 'a' gigante muito proeminente em ritmo sinusal, gerada pela contração vigorosa do átrio direito contra a valva estenosada obstruída [B3].
  • Descenso 'y' marcadamente lento e atenuado (descenso y lento) devido ao retardo no esvaziamento diastólico do átrio direito [B3].

Manobras

  • Inspiração profunda: Aumento evidente da intensidade do ruflar diastólico e antecipação do estalido de abertura tricúspide devido ao incremento inspiratório do fluxo venoso que cruza a valva [B1] [G1-15].
  • Manobra de Valsalva: A intensidade do sopro diminui durante a fase de esforço, com recuperação imediata logo no primeiro batimento pós-descompressão [B1].

Graus de gravidade do simulador

Graus de gravidade do simulador: Leve, Moderado, Grave
Ritmo de base: Ritmo sinusal normal

Também conhecida como: Estenose tricuspídea reumática · Estenose da valva tricúspide · Estenose tricúspide · Doença tricuspídea reumática · TS

Outras patologias deste grupo

Fontes

  1. [B1] Bedside diagnosis of systolic murmurs . N Engl J Med (1988) . DOI: 10.1056/NEJM198806163182404 PubMed: 2897627
  2. [B3] The jugular venous pressure revisited . Cleve Clin J Med (2013) . DOI: 10.3949/ccjm.80a.13039 PubMed: 24085809
  3. [B4] The Carotid Pulse . Clinical Methods: The History, Physical, and Laboratory Examinations (1990) . PubMed: 21250154
  4. [E1] AHA/ACCF/HRS recommendations for the standardization and interpretation of the electrocardiogram: part V: electrocardiogram changes associated with cardiac chamber hypertrophy: a scientific statement from the American Heart Association Electrocardiography and Arrhythmias Committee, Council on Clinical Cardiology; the American College of Cardiology Foundation; and the Heart Rhythm Society: endorsed by the International Society for Computerized Electrocardiology . Circulation (2009) . DOI: 10.1161/CIRCULATIONAHA.108.191097 PubMed: 19228820
  5. [G1-01] Echocardiographic assessment of valve stenosis: EAE/ASE recommendations for clinical practice . J Am Soc Echocardiogr (2009) . DOI: 10.1016/j.echo.2008.11.029 PubMed: 19130998
  6. [G1-04] Acute rheumatic fever and rheumatic heart disease . Nat Rev Dis Primers (2016) . DOI: 10.1038/nrdp.2015.84 PubMed: 27188830
  7. [G1-10] The First Heart Sound . Clinical Methods: The History, Physical, and Laboratory Examinations (1990) . PubMed: 21250175
  8. [G1-15] Diastolic Murmurs . Clinical Methods: The History, Physical, and Laboratory Examinations (1990) . PubMed: 21250187
  9. [V1] 2025 ESC/EACTS Guidelines for the management of valvular heart disease . Eur Heart J (2025) . DOI: 10.1093/eurheartj/ehaf194 PubMed: 40878295
  10. [V2] 2020 ACC/AHA Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Joint Committee on Clinical Practice Guidelines . Circulation (2020) . DOI: 10.1161/CIR.0000000000000923 PubMed: 33332150